|
Mario Is Alive |
`
BEBA MARIO. MAS APRECIE COM MODERAÇÃO.
Fim de ano de novo. Ano novo de novo. E aí eu fiz o balanço anual do meu estudo antropológico que iniciei aos 15 anos, quando desisti de tentar entender deus e comecei a tentar entender os seres humanos. E a conclusão do estudo esse ano é que as pessoas são como garrafas pet. Sim, garrafas pet! Se inflamos o ego delas, ficam maleáveis, depois elas podem se encher demais e transbordar. Se não inflamos, elas ficam duras e vazias, no seu estado mais bruto (pra quem não entendeu essa parte, façam uma visita à fábrica da Coca-Cola, e vocês verão que inicialmente, as garrafas pet são microtubos de ensaio...). Se são abertas por muito tempo, perdem o gás e seu conteúdo fica choco. Depois que todo seu conteúdo foi despejado, não há mais muita utilidade pra elas. Se se deixar que se degenerem sozinhas, levarão séculos e ainda poluirão a natureza, mas são altamente recicláveis. E é isso. Eu também tenho sido uma garrafa pet no último ano. Ano que vem estou pensando em virar um jarro de porcelana. Onde as rosas murchas morrem e dão lugar a viçosos botões. E onde a água é trocada todos os dias... Boas festas pra todos!
CAMPANHA ANTI-TABAGISMO FEITA POR (!) FUMANTES
Já repararam que todo mundo que fuma tá pensando em parar? E que nunca ninguém pára? Aí eu me pergunto: Já não basta o Tio Drauzio no Fantástico nos reduzindo, os fumantes, à pior espécie de mamíferos na face da terra? Me pergunto mais: Se esse povo todo tá pensando em parar, por que não pára logo? Ou melhor, se não queria fumar, por que começou? Eu sei que gosto de fumar; não passa pela minha cabeça parar tão cedo; sei de todos os males que causa, mas é um hábito que me dá prazer e do qual não abro mão. Então quando todo esse povo que "tá pensando em parar" me parar na rua pra pedir um cigarro, não vou dar. Vou sustentar um vício indesejável dos outros??? Cada um que se mate como melhor lhe aprouver...
SOU MAIS EU
Renato Russo é incrível. É incrível como em todas as situações, mesmo as mais insignificantes, as letras dele me dizem aquilo que eu preciso ouvir ou aquilo que eu queria dizer e não achava palavras. Aí eu lembrei dessa aqui:
Mais Do Mesmo
Ei menino branco o que é que você faz aqui
Subindo morro pra tentar se divertir
Mas já disse que não tem
E você ainda quer mais
Por que você não me deixa em paz?
Desses vinte anos nenhum foi feito pra mim
E agora você quer que eu fique assim igual a você
É mesmo, como vou crescer se nada cresce por aqui?
Quem vai tomar conta dos doentes?
E quando tem chacina de adolescentes
Como é que você se sente?
Em vez de luz tem tiroteio no fim do túnel.
Sempre mais do mesmo
Não era isso que você queria ouvir?
Bondade sua me explicar com tanta determinação
Exatamente o que eu sinto, como penso e como sou
Eu realmente não sabia que eu pensava assim
E agora você quer um retrato do país
Mas queimaram o filme
E enquanto isso, na enfermaria
Todos os doentes estão cantando sucessos populares.
(e todos os índios foram mortos).
Mario
MALVADOS
![]()
![]()
* E digamos que a isso se resume meu estado de espírito hoje...
A MONTANHA-RUSSA SOBE, DESCE, E DESSA VEZ FAZ LOOPINGS
Felicidade que não se pode medir e sem razão; Bizarrices acontecendo mais e mais; Literalmente de saco cheio pela falta de sexo; Saudade de um monte de gente que não vai mais estar lá (ou nunca esteve, conforme o caso); Verde e Vermelho de fim de ano, causando depressão; Comida, comida, comida; Quase nada de álcool; Computador, computador, computador; Escola, trabalho, escola, trabalho; Amor, alegria, ódio, paixão, indiferença, tesão, amizade, crueldade, estupidez, piedade, submissão; Tudo e nada ao mesmo tempo agora!!!
*E digamos que a isso se prolixa meu estado de espírito hoje...
Mario
UMA AMBULÂNCIA, POR FAVOR
Bizarrices. Bizarrices sem sentido é ao que se resume minha vida nos últimos dias. Meu dente do cizo (é assim que se escreve?) está nascendo. Meu, como isso dói. Os horários malucos entre banco e escola não têm me permitido uma alimentação razoável, ou melhor, não têm me permitido uma alimentação. Logo, logo, terei anemia ou gastrite ou os dois ou nenhum. Fora isso tem o maldito calor, que traz as malditas noites de insônia e as microbolinhas de ácido úrico. Ou seja, fisicamente, estou à beira de um cataclisma. Mas nem só de incômodos físicos se faz uma bizarrice. Pra começar, sábado fui no Hopi Hari com a Lia & amigos. Gente legal, papo interessante. O parque tava muito cheio, três horas na fila de cada brinquedo. Um sol infernal, que nos fez voltar tostados. (Estou descascando hoje, inclua isso nas ocorrências físicas.) Mas valeu a pena. Eu e a Lia voltamos cantando, entre outras coisas, Fiona. E até ficamos vazios juntos. Foi ótimo. Aí eu fui com a Lia até a Mooca e de lá iria pegar meu ônibus. Mas lá o ônibus demorou quase uma hora pra passar e vários transeuntes me pediram um cigarro. Eu estava sem cabeça e dei. Mas até que foi aproveitável a estadia no ponto. Deu pra perceber como a juventude de hoje (da qual só faço parte na teoria) se assemelha aos Niandertais (é assim que se escreve? não to bem...). Como cachorros que mijam pra demarcar território, esses garotos de 16, 17 anos ficam andando por aí com pedaços de madeira na mão, e olhando feio pra todo mundo, menos pras fêmeas, que são seu segundo objetivo, depois de território. Me lembrou o começo do filme 2001-UONE. Domingo, toda aquela coisa caseira e podridão pós-parque-de-diversões. E quem me liga. O Roberto. Um ex de muito tempo atrás, um ano precisamente. Não foi exatamente uma surpresa. Há duas semanas ele havia tentado falar comigo mas eu nunca tava em casa. Conversamos o essencial, coisas do tipo: "E o povo tá bem?" "Ah, Fulano morreu, Ciclano também..." E aí surgiu o assunto cerveja. Estava muito quente e me senti no direito de convidá-lo pra tomar uma. Por que não? Só não sabia onde. Ele disse que conhecia um lugar legal em São Bernardo. Longe pacas, mas tudo bem. Fomos. Ele não mudou nada. Física e psicologicamente. No telefone, ele disse que agora é um rapaz comportado. Mas, chegando lá, vi que ele é a mesma puta que eu conheci. Aliás, lá, "o lugar legal" era praticamente um puteiro. Uma miniatura da Vieira de Carvalho. Fomos nós dois e uma amiga bi dele. Ela ficava querendo que eu fosse agitar as meninas pra ela e terminou a noite me dizendo a seguinte frase: "Você tem que ser mais bichinha, você é homem demais!" Pode uma coisa dessa??? O Roberto ficou com uma bichinha poc-poc que o agarrou, sem nem perguntar o nome. Foi hilário. Eu voltei pra casa sóbrio. Foi deprimente. Aí, durante a semana, minha escola esteve infestada de ratos. Na segunda-feira, eu vi quinze. E não estou exagerando. Voltei a falar com a Íris, de modo até amigável, eu diria. Então, na segunda, estou no ponto de ônibus, esperando pra voltar pra casa, e me pára uma baixinha peituda de olhos vermelhos: "Desculpa, é que só vc tá fumando aqui no ponto. E eu tô desesperadamente precisando de um cigarro. Você pode me arranjar algum?" Dei o cigarro à coitada. Aí, do nada, ela pergunta: "Fez prova hoje?" E eu "???", tipo, eu já tinha dado o cigarro, ela não precisava ficar puxando assunto... Mas ela quase adivinhou. Eu havia feito um seminário. Será que estava escrito na minha testa? Só sei que o ônibus, felizmente, chegou e fui embora. Na terça-feira, após assistir uma palestra sobre "Você é uma marca, venda-se!", mais maçante e boçal que a vida, me encaminhava para o ponto e havia um ventinho bom no contrafluxo, premeditando chuva. Eu só percebi com mais ênfase esse ventinho quando vejo uma menina à minha frente, abrindo os braços e olhando pra cima, realmente sentindo a natureza, e meio que pedindo a chuva. Ela vira o rosto pra trás. Era a maluca do cigarro. Eu pensei em fingir que não vi e ir embora, mas ela veio logo com um "Oi, amigo que me deu um cigarro ontem!", e aí eu comecei um papo da forma mais estranha possível: "Você tem uma grande conectividade com a natureza, certo?" "É, eu gosto" "Vc é bruxa?" "Não, conheço muito sobre o assunto mas nunca pratiquei nada. Vc pratica?" "Não, mas conheço gente que pratica. E eles são todos assim: 'Viva a natureza!'" "É, é bom." "Vc não acha isso muita coincidência, dois dias seguidos?..." "Não, a gente sai no mesmo horário, pega o mesmo caminho... É totalmente natural..." "Mas eu acho engraçadas essas situações inusitadas que nos fazem conhecer pessoas..." "Você sempre fala difícil assim?" E conversamos durante quase uma hora. Éramos como dois estrangeiros que falassem línguas diferentes mas que se entendessem perfeitamente. E tem aquela teoria de que quando você está conhecendo uma pessoa, você tem a tendência de apresentar pra ela só seus aspectos que julga positivos. Com ela, foi totalmente o contrário. Falamos sobre nossos lados mais negros e nossos defeitos mais bizarros. Foi uma conversa muito proveitosa. Depois de uma hora conversando: "A propósito, qual é mesmo o seu nome?" "Daniele". Ontem, a bizarrice foi o Fabio. Esse garoto é da minha sala, e eu o indiquei pra minha gerente no BB. Ontem ele foi lá fazer entrevista. E desde então não desgrudou de mim... Ficou o dia inteiro e a noite inteira colado em mim, como bezerro em teta de vaca. Não tem conotação sexual nisso, viu? Ele não largou do meu pé um segundo...Acho que por ter perdido as eleições do grêmio da escola, ele ficou meio sem rumo, e me viu como pilar ou coisa assim. Mas o garoto só fala em pinto e mulher. Às vezes irrita.. Mas, não sei, alguma coisa nele não me permite ser grosseiro com ele. Parece uma criança que só quer uma mamadeira e um pouco de atenção. E diga-se de passagem, o garoto tem uma boca que...ai, ai, ai, meu Frodo!!! Que pena que é hetero... Ninguém é perfeito... E por enquanto (ufa!) acabam minhas bizarrices de ultimamente. Acredito que haverão outras. Mas vou juntar bastantes pra postar. Enquanto isso, alguém aí tem um analgésico?
Mario
THERE'S MORE TO LIFE THAN THIS
A Superinteressante desse mês diz que a dor de um fora é comparável à dor física de uma perna quebrada. Só eu sei. Sim, admito, me apaixonei. Às vezes, foi bom. Às vezes, doeu. Agora dói. E não posso culpar ninguém. Nem a mim mesmo. Não quero mais me apaixonar. Porque a boca da paixão que te beija é a mesma que te engole. Porque a mão da paixão que te afaga é a mesma que te espanca. O olhar da paixão é o mesmo que esquenta e gela. A paixão dá esperança e depois desilude, abrindo os olhos de qualquer um de forma violenta e os ferindo com luz. Luz de verdade. Verdade que não anda junto com a paixão. Pois a paixão mente. A paixão segura os seus pulmões e os comprime até virar um câncer. E como um câncer, a paixão se alastra, tomando conta de tudo. E ao contrário de qualquer ser vivo, se a paixão não for alimentada, ela cresce mais do que se pode medir. Se não for correspondida, se afirma, como rocha. Não, não quero mais me apaixonar. Seguirei brincando com minhas bonecas. E cuidado, pois não sei brincar. E esse é o último post romântico que escrevo. Da próxima vez, falarei de problemas sociais ou ogivas nucleares.
Mario
E A AMIZADE SEMPRE VIRA DESCULPA
"não quero te fazer chorar...
o maior presente q a vida pode nos dar é uma amizade bela e sicera...
não existe namoro, amor ou coisa qualquer q substitua um amigo..."
É, eu acho que consigo conviver com isso. Mas como diz a letra de uma música do disco que ele próprio me deu:
I could be your sister Eu poderia ser sua irmã
I could be your mother Eu poderia ser sua mãe
We could be friends Nós poderíamos ser amigos
I'd even be your brother Eu até seria seu irmão
But I'd rather be your lover Mas eu preferiria ser seu amante
That's right É isso aí
(...)
Tell me what you want Diga-me o que você quer
Tell me what you need Diga-me do que você precisa
And give me what I need E dê-me o que eu preciso
O PASSADO CONDENA
Eu esqueci a senha do cartão de crédito e tive que passar o carão de pedir carona no busão. Pra que isso não aconteça novamente, resolvi procurar na minha gaveta de cuecas a carta do banco onde estava escrita a senha. Achei. Só que na minha gaveta de cuecas tem de tudo, menos cuecas... Aí me deparei com um passado medonho. Entre outras coisas, achei meu boletim de notas da 6a. série; uma foto da prima da Lia (??); uma foto 3x4 minha de mil anos atrás, quando eu era 30kg mais gordo; meu talão de cheques, que estava aposentado; teste do pezinho; caderneta de vacinação; entre outras bizarrices... Mas a melhor de todas foi um cartão que eu ganhei do meu ex.. Olhem isso:
Mario,
Estamos juntos há 1 mês, porém parecem 100 anos. Nunca imaginei que um carnaval na praia pudesse acabar com minha solidão e me transformar na pessoa mais feliz do mundo.
"Você me faz muito feliz. Desde quando nos encontramos, eu sabia que você era a pessoa certa pra mim. Ninguém jamais me fez sentir tão feliz, tão contente, tão sorridente como você me faz.Onde quer que eu esteja
você está perto,
mesmo que seja só
no meu pensamento,
e eu sei que
se a gente não tivesse se encontrado,
eu ainda estaria procurando
pela felicidade."
Acho que esse cartão já diz tudo, você é tudo pra mim.
Te amo!!!
Beijos!!!
Jé
E depois de 3 meses, sem mais nem menos, e sem explicação nenhuma, tomei o maior e mais bem dado pé na bunda. Só por esse cartão dá pra sentir o quão cínico é esse ser humano. Aí ontem fiquei sabendo que um outro ex me ligou enquanto eu não estava em casa. Por que esse povo decidiu ressucitar dos mortos de repente? Será um sinal?
SOLUÇÕES EM ATENDIMENTO (MAS NÃO QUANDO SE TRATA DE FGTS)
Como diria minha ex-professora Lucy Taeko Baba, vou ganhar um ano de repetição sobre um mês de experiência em carimbar coisas no BB. Ou seja, todo dia entro no sisbb, imprimo a tela, faço trocentas continhas de mais, corto os papéis que tenho que cortar, grampeio os papéis que tenho que grampear, coloco tudo dentro de um saquinho plástico junto com uma planilha do Excel que eu tenho que imprimir, entrego o saquinho pro gerente e fico olhando pro relógio das 4 da tarde até as 6, sem ter o que fazer. Dizem que é por enquanto, mas eu não confio nos gauleses. Sinceramente, eu queria trabalhar na Alésia, só me resta descobrir onde fica...
P.S.: Fiquei feliz pq a Lia tirou Limp da Fiona no piano. Não que seja difícil. É que agora poderemos finalmente fazer um dueto que nao seja "As Always"
PROSOPOPÉIA LENTA PARA ACALENTAR BOVINOS
Talvez eu tenha exagerado um pouco. Mas acho que não. Expectativas eternas nunca fizeram meu gênero.
Acrilic On Canvas
É saudade então
E mais uma vez de você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra
E era sempre:
"Não foi por mal,
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste"
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são
Preparei a minha tela com pedaços de lençóis
Que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do teu quarto
Do portão da tua casa
Fiz paleta e cavalete
E com as lágrimas que não rolaram por você
Destilei óleo de linhaça
E da tua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz então pincéis com teus cabelos
Fiz carvão com o batom que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte
E era sempre:
"Não foi por mal
Eu juro que não foi por mal, eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer
Mais uma vez"
E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição
Às vezes é difícil esquecer:
"Sinto muito, ela não mora mais aqui"
Mas então por que eu finjo que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim, não foi desse jeito
Ninguém sofreu e é só você
Que provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De amor-perfeito
E não te esqueças de mim
(Renato Russo)
E essa aqui é podre, mas vou ser obrigado a cantá-la daqui a dez anos:
Baba
Você não acreditou, você sequer notou
Disse que eu era muito nova pra você
Mas agora que cresci, você quer me namorar
Não vou acreditar nesse falso amor
Que só quer me iludir, me enganar
Isso é caô
E pra não dizer que eu sou ruim vou deixar você olhar, só olhar
Baba, baby, baba
Olha o que perdeu
A criança cresceu
Bem feito pra você, é
Agora eu sou mais eu
Isso é pra você aprender a nunca mais me esnobar
Baba, baby, baby, baba...
(Kelly Key)
Nada me permite
Nada me proibe
Então vou ficar mais um pouco
Até fazer calos
POIRE UM MUNDO MELHOIRE, Ó PÁ!
Gajos e gajas, patrícios lusitanos. Tomai vossos pequenos almoços acompanhados de um copo de água lisa fresca, pois a azinhaga é longa e não levaremos nenhum sandes, ora, pois. Roda, roda, vira, solta, roda, vem. Ano que vem tem Rock In Rio. Só que em Lisboa. Até agora não entendi por que se chama Rock In Rio. Deve ser por causa do Rio Tejo. Coisa de lusitano. O legal é que eles ainda não fazem a menor idéia de quem vai tocar lá. E a festa de abertura das obras pro festival foi abrilhantada pelo show da roqueiríssima Ivete Sangalo. Coisa de lusitano. Nesse raio de Rock In Rio Lisboa, vão passaire a mão na tua bunda e não vais comeire ninguéim, ó pá!
MULHERES: AMÁ-LAS? SEMPRE. ENTENDÊ-LAS? JAMAIS.
Lembram do meu ex-amor platônico, a Íris? Pois é, eu pensei que nunca mais seria atormentado por ela, mas seguiu-se o diálogo mais tosco do mundo com ela na última sexta-feira. Uma semana antes, ela havia faltado à escola, e conversando com algumas meninas da sala dela, surgiu o assunto masoquismo, e eu falei brincando: "Ah, eu adoro apanhar! Se for da Íris, então, nossa..." E a garotinha ficou putíssima da vida com o "infeliz comentário", por eu ficar "falando coisas pelas costas dela", e por ter sido "pra quem quisesse ouvir". A pobrezinha ficou "encabulada", "envergonhada", "encanada" e mais umas trezentas e setenta e cinco palavras começadas em "en". Então ela acha que "é melhor não sairmos mais, nem fazer mais brincadeiras de intimidade", pois na concepção dela, o que eu supostamente fiz "foi mancada". Legal, ela me abraça, faz piadinhas de duplo sentido e de cunho sexual explícito. Me dá liberdade pra fazer o mesmo, e dá risada com isso. Agora, por causa de uma frasezinha imbecil dessa, ela vem com esse monte de xurumela? Disse que contou pro namorado e ele quis me matar, e papapi, papapá.. Ou seja, falar sobre apanhar é coisa muito íntima, mas sobre sexo não. Depois eu é que sou maluco...
DON'T TALK JUST KISS
Lugar família. O tipo de lugar que eu levaria a minha mãe. Cabelo de Noel Galagher, roupa de drag queen enrustida. Pouco dinheiro. O absurdo: oito pilas, uma micro dose de vodka de segunda; quatro pilas, uma latinha de (!)Skol. Cerrei cigarros e cerveja de todo mundo. Então dancei. Dancei até doer os pés. Até doer os rins. Até lavar a alma. De repente, pluft! Some todo mundo. Olho ao meu redor e tá todo mundo se dando bem, e quando dou por mim, estou sozinho na pista. Ganho um beijo no rosto de um completo desconhecido, que pinicou por causa do cavanhaque. Então eu vi o teto. E fez sentido. Eu e o teto. Um belo par. Até que chegou a enfermeira, uma coisa bem Animaniacs, sabe? Perguntou se eu estava passando bem, e se eu não precisava de alguma coisa, talvez um travesseiro ou um calmante. Eu disse que não, obrigado. E o sorriso? Bom, o sorriso não passou de um sorriso... Aliás, eu me espantei, porque pra astro do rock desengonçado, até que eu soltei bem a franga na pista, ao contrário do cabeludinho... Então, Frans Café e conversas sobre quem quis comer quem, e quem quis ser comido por quem. Sem café. Nem tequila. E eu só pensava em duas palavras: minha cama. Aí surgiu o assunto sobre "fazer a xuca" e "passar um cheque". E eu sinceramente nunca entendi muito bem como isso funciona. Eles usam uma mangueira, um dreno, uma escova ou o quê? Alguma alma mais esclarecida pode me dizer COMO se faz a xuca? Então metrô e conversas sobre trabalho e estudo com o cara que conhecia o cara que conhecia o cara que eu conhecia. Nomes? Errr... pula... Aí o idiota desceu do metrô e comprou cigarros. E não contou o dinheiro direito. E não tinha pro busão de volta. Aí o idiota andou que nem camelo procurando um Bradesco que estivesse funcionando. Achou. Mas e pra lembrar a merda da senha do cartão, com todos aqueles espíritos africanos em torno de meu cérebro? Então, vamo lá. Eu nunca fiz isso antes, mas sempre tem uma primeira vez. Respira fundo, faz cara de humilde. Dá o sinal. "Amigo, tem como dar uma carona? É que eu perdi meu dinheiro..." "Carona, essa hora? Embaçado.." "Tem como?" "Sobe." Subi, e quando sentei, quase não acreditei. Casa não era mais um mito tão distante. Na verdade, me espantei, foi fácil demais. O primeiro que eu parei me deu a bendita carona. Essa é a vantagem de ter ascendente em Escorpião. Nosso charme é irresistível. Bom, então eu dormi até as quatro da tarde. Tomei uma dose de Johnny Walker, pra curar a ressaca cefaléica. E fiz do meu dia ócio, ócio e mais ócio. Acho que nunca fui tão improdutivo em toda a minha vida. Mais uma vez, tudo culpa do atum com queijo. Hoje eu começo a estagiar no BB. Me desejem sorte.