AQUI A RADIOATIVIDADE EMANA


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Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007



MAIS DO MESMO ou A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM ou GUIA PRÁTICO DE COMPRAS

Post complementar ao anterior. Minhas relações bloguísticas são sempre com o amor ou com Sampa. Nunca muda. Pois é. Então. Descobri uma coisa que pode fazer qualquer pessoa se sentir mais merda do que já é por aqui. Não saber onde conseguir o quê. Tive a segunda epifania paulistana na mesma semana. Às meninas do "Reticências" isso talvez dê pistas pra ter idéia do que eu quis dizer no post anterior. Eu tenho a comodidade (que é de poucos, diga-se de passagem) de estudar no centro. Isso facilita as coisas. Mas nem tanto. Olha só a romaria-lista-do-onde-achar só de lugares que fui hoje depois da facul.
- Bancos Bradesco / Itaú / do Brasil, os três juntinhos, um do lado do outro - Rua São Bento
* Fica mais fácil assim, você resolve tudo de uma vez num lugar só. Se bem que, quando possível, eu prefiro ir ao Bradesco da Rua Álvares Penteado e resolver tudo por lá mesmo. Não tem porta giratória, aí não se tem problemas com mochila, guarda-chuva, discman, celular, chave, moeda, etc, etc, etc. Fala sério, esse tipo de coisa é um porre! Mas hoje não deu, tive que ir aos 3 bancos mesmo.
- Bugigangas eletrônicas contrabandeadas - Rua 25 de Março
* Por sua conta e risco. Sem nota fiscal, sem devolução, sem choro. Por exemplo, o rádio que eu comprei pra minha mãe só pega Rádio Globo na AM. A pobre ficou tão decepcionada....
- Material escolar - Armarinhos Fernando - Rua 25 de Março
* Acreditem em mim. Não tem lugar mais barato pra essas coisas.
- C & A - Rua 24 de Maio
* Vai dizer que você nunca teve que acabar com o seu dia, desviando sua rota pro lado completamente oposto, só porque tinha que ir lá pagar a fatura?.... Vai dizer que você nunca parcelou tudo lá em 8x sem juros?.....
-Fontes, cabos, instrumentos musicais e afins - Rua Aurora / Rua Santa Ifigênia
* Lá tem nota e garantia de um ano. E as coisas funcionam... Ufa..

Depois ainda tive que voltar pro Terminal Parque D. Pedro II pra pegar ônibus. No total, devo ter andado uns 7km, tudo no centro. Às vésperas de carnaval peguei um puta trânsito horrível...
Bom, isso tudo fora as outras coisas que eu não precisei hoje, mas no dia que precisar, como bom paulista, sei de cor e salteado:
- Carros - Av. Prof. Luís Ignácio Anhaia Melo
- Noivas - Luz
- Bichas podres, arte hippie e pedras (preciosas ou não) - República
- Bichas finas, lâmpadas, lustres e afins - Consolação
- Museus - * Caixa - Praça da Sé; *CCBB - Rua Álvares Penteado; *Banespa (museu + mirante) - Rua João Briccola; (esses três gratuitos); *Museu da Língua Portuguesa - Luz;
- Orientalidades (principalmente gastronômicas... hmmm...) - Liberdade
- Sebos - Praça João Mendes
- CDs, Camisetas, etc.(rock/hype) - Galeria do Rock - Rua 24 de Maio; Galeria Ouro Fino - Rua Augusta
- Nascer do sol - O "cu" do MASP (Av. Paulista) possui o melhor.
- Pôr do sol - Ninguém repara nele aqui (até porque os arranha-céus não deixam...)
- Botecos rock - Bixiga
- Botecos comuns, lojinhas de R$1,99 e Igrejas Universais do Reino de Deus - Qualquer esquina ou galpão velho
etc., etc.
Não adianta ficar procurando. É só estar bem-informado. Em São Paulo, cada coisa tem seu canto. E eu tô craque. Não saia de casa sem falar comigo antes (Isso vale pros forasteiros, ok? Eu tenho consciência de que todo paulistano já nasce com um guia implantado no cérebro. Será?). Ou você pode se sentir mais merda que o comum.



P.S.: Estamos em época de GRES de novo! Parece que a vida no Brasil gira em torno disso, né mes? Bom, um ótimo alalaô pra quem for telecotecar e muito isquindô-isquindô pra quem for ziriguidunzar!




Mario

Respire fundo e diga 33



Terça-feira, Fevereiro 13, 2007



A MOSCA DO COCÔ DO CAVALO DO BANDIDO

Engraçado, tenho a impressão de já ter começado algum post com esse título... (Por que será? Por nunca ter medo de quebrar a cara e acabar sempre quebrando, talvez?...) Mas, enfim, tava reparando em São Paulo. Não que eu já não faça isso todos os dias. Pensa bem, alguém que mora em Sapopemba, faz facul no centro, trabalha no Tatuapé, em Santo André e no Brooklin ao mesmo tempo, é incapaz de não ver a fundo os karmas e os dharmas da megalópole. Só que tem me chamado a atenção um aspecto em particular de Sampa: como é fácil se sentir um merda aqui. Aí você diz: "Grande bosta! Cadê a novidade?" Eu sei, isso já foi tema de oito Globos Repórteres, quatro Domingos Legais, centenas de sociólogos, filósofos, intelectualóides, emos, punks, skinheads, góticos (principalmente os góticos), Caetano, Chico, Tom Zé, big brotheres, dezessete novelas do Sílvio de Abreu, ibope, datafolha, vox populi, todos os cariocas (sobremaneira os pitbulls surfistas), bandas de pop rock (inclusive as que não são paulistanas e/ou paulistas), palestrantes motivacionais, padres, pastores, putas, videntes, ilusionistas, escritores de livros de auto-ajuda, drogados, alcóolatras, chocólatras, vendedores de yakissoba na Paulista, atores frustrados, pintores famosos, escritores modernistas, homens-estátuas, até dos pombos da Praça Clóvis e da Xuxa (ah, não, a Xuxa já é solitária por natureza...). Contudo, não é a famosa sensação do "estar só no meio da multidão" que tem ofuscado meus olhos. Isso é rotina. É o número crescente de sociólogos, filósofos, intelectualóides, etc., etc., que tem saído da categoria do "puxa-olha-são-paulo-quanto-merda" pra do "puxa-olha-sao-paulo-quanto-merda-e-eu-sou-um-deles". Não pensem que me excluo. Também fui rebaixado à segunda divisão. Tanta coisa pra se ver e fazer nessa cidade que eu tanto amo e odeio que passamos a ver e fazer em função das coisas, não de nós mesmos. Tô sendo muito confuso? Tá, sei, tô. A idéia é que a cidade é como uma engrenagem: se ela te engole você fica eternamente rodando dentro dela sendo constantemente esmagado pelo denteado. Pra isso não acontecer, tem-se que ficar parado em cima da roda, correndo enquanto ela gira e pulando a cada denteado. Estou nesse ponto, prestes a ser engolido. Não encarem erroneamente, isso não me deprime ou angustia ou me faz querer virar emo (blergh!), nada disso! É que eu reparei que todo mundo aqui é igual. Ou tá correndo e vai cair ou já caiu e voltou a correr. O resto - detalhes fúteis como personalidade, desejos, sonhos, estilo de vida, emoções, cérebros, subconsciência, fatura vencida de cartão de crédito - fica completamente oculto no meio da massa. E aí se vive pra fazer e não o contrário. Tá me entendendo? Então você já virou um de nós. Bem-vindo!



Mario

Respire fundo e diga 33



Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007



NÃO TÃO ALTO QUE POSSA CAIR, NÃO TÃO BAIXO QUE NÃO POSSA VOAR

É, é assim que me sinto. Sabe, os professores da faculdade insistem em dizer que tudo o que é poético tem segundas intenções. E que esses "implícitos" não são tão implícitos assim: valendo-se de um pouco de técnica e base teórica, a interpretação de cada vírgula ou centímetro vira senso comum. Talvez eles tenham razão. Eu ainda acredito na improbabilidade dessa tese. O título desse post, por exemplo, não tem implícito algum. Eu não tive intenção alguma com essa frase senão introduzir na mente do leitor a pergunta "O que diabos ele quis dizer com isso?" Foi só um chamariz pra que lessem o resto. Uma estratégia de marketing generalizada e generalizável, sem detalhe, sem requinte. Um artifício muito utilizado por Paulo Coelho e Dan Brown, tão execrados pelos acadêmicos. Não tiro toda a razão deles. Paulo Coelho não é um gênio. Mas Shakespeare também não era. Ouço muito que Paulo Coelho é uma bosta porque "vende", porque é "pop", porque é "auto-ajuda". Desculpem-me os fundamentalistas, mas se vão criticar, usem um argumento menos cretino. Porque Shakespeare vendia, era pop e transmitia dicas de etiqueta à la Glorinha Kalil e lições de moral dignas de "Quem Mexeu No Meu Queijo?" (os mESTRES e dOUTORES distorcem a verdade e chamam a isso "Retrato e crítica à realidade social da época, pioneiríssimo!".... Bullshit!). E é a porcaria mais idolatrada por esses urubus-pés-de-pano-cotovelálgicos. É que tudo o que é velho, mofado e chato é luxo. O pouco ortodoxo e/ou contemporaneamente popular é lixo. Cem anos mais tarde vira luxo também. O pop de hoje é o hype de amanhã. E o excremento de ontem é o cult de hoje. Então não me venham com essa de que Sá de Miranda era um gênio incompreendido, praticamente um "profeta", por prever os males dos séculos XX e XXI. Ou que usou esta ou aquela palavra ou frase, este ou aquele som para expressar esta ou aquela idéia. Ele era só mais um querendo ganhar dinheiro ou fama ou sabe-se lá o que, utilizando recursos estilísticos (na contramão de sua época, corajoso, isso eu reconheço) simplesmente como chamariz. Assim como o título desse post, que quer dizer exatamente o que diz. Só foi floreado pelo escasso número de comentários deste blog. Thou adulterate plume-plucked ingested-lump!



Mario

Respire fundo e diga 33





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