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Sábado, Setembro 08, 2007



UM DIA PERFEITO

Que tal sair pra almoçar na Paulista? Polpettoni com gnocchi ao molho de quatro queijos. Ou do Zé. Depois você pode dar uma volta. Sentar num banquinho próximo à Augusta. Muito papo e depois cai bem um cineminha. Nada extraordinariamente pioneiro ou maçante. Tem que ser divertido, mas exótico e não lá grandes coisas. Recomendo um filme israelense. Estica-se para uma cerveja num boteco qualquer. A cerveja sempre tem que estar mais gelada que a brisa e menos gostosa que a conversa. De repente, bate uma fome e você provavelmente quererá um pedaço de pizza gigante, como só os paulistanos sabem fazer. Abocanhada e deglutida a iguaria, você pega um táxi e vai ver um show de rock num pub qualquer. Pode ser uma dessas bandas santistas que quase ganham concursos britânicos ou simplesmente a banda cujo álbum demo seu amigo ajudou a produzir. É claro que você quer mais. E ao final do show, se dirige a uma baladinha com um som tão dadaísta quanto alegre. E aí, você dança. E beija. E dança. E beija. E dança. E beija. E beija. E beija. E beija... Até adormecer no sofazinho e alguém te acordar dizendo que aquilo é deprimente. Você dança mais um pouco. Beija mais um pouco. E vai até o metrô, de onde se despede do seu dia perfeito, seguido de uma noite perfeita, que você queria mesmo era que fosse uma vida perfeita, ao lado de um cara perfeito. Mas não se pode querer tudo. E você passa a catraca, com um sorriso monalísico no rosto: misto de ironia (do destino, ou não) e dor; de amor, raiva e paixonite; de desespero besta de adolescente e contas de água, luz e telefone a pagar. E você se despede do seu dia perfeito. Diz adeus, e lamenta que o local onde está sua felicidade esteja tão longe dos olhos e perto do coração.



Mario

Respire fundo e diga 33





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