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Terça-feira, Janeiro 29, 2008



CIDADE DA GAROA MARAVILHOSA

Esqueçam o Corcovado e o Pão de Açúcar. O que há de melhor no Rio pra se fazer é tomar chope num "pé-limpo", beijar a boca de quem se gosta e ser feliz (com herpes ou não). Trilha sonora pra isso é o que não falta:




CAMISA LISTRADA

Vestiu uma camisa listrada,
E saiu por aí,
Em vez de tomar chá com torrada,
Ele tomou Parati,
Levava um canivete no cinto,
E um pandeiro na mão,
E sorria quando o povo dizia,
Sossega, Leão, sossega Leão.

Tirou o seu anel de doutor,
Para não dar o que afalar,
E saiu, dizendo, eu quero mamá,
Mamãe eu que mamá.

Levava um canivete no cinto,
E um pandeiro na mão,
E sorria quando o povo dizia,
Sossega Leão, sossega Leão.

Levou meu saco de água quente,
Pra fazer chupeta,
E rompeu a minha cortina de veludo,
Pra fazer uma saia,
Abriu meu guarda-roupa,
Arrancou a combinação,
Até do cabo de vassoura,
Ele fez um estandarte, para o seu Cordão.

E agora que a batucada,
Já vai terminando,
Eu não deixo e não consinto,
Meu querido debochar de mim,
Porque, se ele pegar as minhas coisas,
Vai dar o que falar,
Se fantasia de Antonieta,
E vai dançar no Bola Preta,
Até o sol raiar...

Assis Valente







SAMBA MEU

O meu samba vai curar teu abandono
O meu samba vai te acordar do sono
Meu samba não quer ver você tão triste
Meu samba vai curar a dor que existe
Meu samba vai fazer ela dançar
É o samba certo pra você cantar

O meu samba é de vida e não de morte
Meu samba vem pra cá e traz a sorte
E celebra tudo o que é bonito
Meu samba não despreza o esquisito
Meu Samba vai tocar no infinito
Meu Samba é de bossa e não de grito

Meu Samba, defendi com alegria
Deixe que a noite vadia
Vai saber lhe coroar
Deixo entregue aos bambas de verdade
Que estão nos morros da cidade
Peço a benção pra passar
Deixo entregue aos bambas de verdade
Que estão nos morros da cidade
Peço a benção pra passar

Rodrigo Bittencourt




Mario

Respire fundo e diga 33



Quarta-feira, Janeiro 16, 2008



NÃO, OBRIGADO, JÁ ESTOU SATISFEITO.

Há anos eu não chorava. Não escorrera uma gotícula sequer de água salgada dos meus olhos até então. Daí, contrariando as expectativas, em setembro último, finalmente minha irmã se casou. A cerimônia foi absurdamente linda. Meu cunhado é bombeiro, então houve toda a pompa militar a que se tem direito. Acho que nenhum dos convidados vira coisa semelhante. Tanto que eu, logo eu, que desde os doze anos mal trocava bom-dias com a noiva em questão (e, pasmem, fui chamado para ser padrinho!), não consegui me conter e, vez ou outra, limpava uma lágrima daqui, outra acolá. As danadinhas coçavam minhas conjuntivas, esfusiantes, querendo pular transbordantemente, mas como macho do par que fazia com a madrinha, obtive exemplar sucesso ao detê-las. Uma ou outra escapou, mas as estatísticas perdoam. Até o padre chorou. Até o comandante do batalhão, que berrava ordens coreográficas aos soldados, chorou. Eta casório bonito! As homenagens aos recém-cônjuges no salão de festas também não deixaram a desejar. Emocionantes que só. E lá vêm as pervertidas nos meus olhos de novo. E, mais uma vez, fui firme. Fui forte. Segurei até o último sopro de saxofone do Kenny G. E aí depois foi festa. Literalmente festa, na acepção mais festeira da palavra. Pagou-se caro, mas valeu a pena. Setembro último foi um mês conturbado, entretanto. As bodas foram um breve escape da minha rotina de então. Propositalmente me afoguei em trabalho. Primeiro, pra pagar dívidas que pareciam eternas (mas que acabaram pouco tempo depois, que alívio!). Depois, porque queria ocupar o cérebro a maior parte do tempo pra fugir da depressão, que eu nem lembrava mais onde tinha começado. Só que tudo tomou proporções gigantescas, e eu não comia, não dormia, não tinha vida social. Só trabalhava. E permanecia na busca (frustrada, óbvio) pelo príncipe encantado ao qual eu não tinha tempo pra dedicar. E assim foi, mais ou menos, até o fim do ano. E eu desejei férias. Desejei muito. E quanto mais desejava, mais lento o tempo passava. Até que chegou. E eu me vi com minha conta bancária cheia, com tempo a dar com o pau e sem saber o que fazer com ele. Eu não tinha mais amigos. Eu não sabia mais sair. E tentei retomar contato com as pessoas do passado. Obtive êxito em alguns casos. Falhei miseravelmente em outros. Mas do dia pra noite, minha vida virou do avesso e o que era um tédio só, virou a vida mais badalada do mundo. Um turbilhão de coisas aconteceu e deixou de acontecer. E cá estou eu, agora, em semi-férias. Bom, eu falei tudo isso só pra introduzir o que eu realmente queria dizer. Depois de ter freqüentado a faculdade, adquiri essa mania de dissertação. Incontrolável. Mas, enfim, o que realmente importa é que dia desses eu tava tão agitado, tinha tanta coisa pra fazer e isso me deu um puta-hiper-ultra-maxi-tédio. E eu ouvi uma música que não ouvia há um tempo. E junto ao tédio causado pela estafa, veio uma saudade do que eu nunca fui misturado com vontade do que eu já tenho. Clichê? Talvez. Só sei que desabei em prantos. Não foram as mesmas lágrimas de padrinho. Essas eu não consegui nem pensar em segurar. Não precisei. Tava sozinho. Não quis. Lavei tudo. E não foi exatamente por causa da música em si. Embora a melodia seja... digamos... forte, a letra não me toca tanto assim nem me traz recordações (Será?). Era um monte de sujeira que tava do lado de dentro e precisava vir pra fora. A música foi só a máquina de lavar. O OMO é muito mais embaixo. O que imediatamente sucedeu este episódio foi feliz demais pra ser mencionado. Quero manter a tristeza desse post, em benefício da audiência! ;)
Aqui vai a letra da música (a tradução é minha e tá sendo feita de madrugada, então perdoem eventuais catástrofes lingüísticas, é só pra vcs que não falam inglês terem idéia da essência dela) e a própria, made in Iutúbio:




NOT ABOUT LOVE
NÃO É SOBRE AMOR

The early cars
Os carros de cedo
Already are
Já estão
Drawing deep breaths past my door
Desenhando respirações profundas, ao passar pela minha porta
And last night's phrases
E as frases de ontem à noite
Sick with lack of basis
Doentias e sem fundamento
Are still writhing on my floor
Ainda estão se estribuchando no meu chão

And it doesn't seem fair
E não parece justo
That your wicked words should work
Que as suas palavras maldosas funcionem
In holding me down
Pra me colocar pra baixo
No, it doesn't seem right
Não, não parece certo
To take information
Pegar informações
Given at close range
Dadas como restritas
For the gag
Para os amordaçados
And the bind
E os amarrados
And the ammunition round
E a rajada de balas

Conversation once colored by esteem
As conversas que outrora foram coloridas por carinho
Became dialogue as a diagram of a play for blood
Viraram diálogos, como um diagrama de um jeito de obter sangue
Took a vacation, my palate got clean
Tirei umas férias, o céu da minha boca ficou limpo
Now I can taste your agenda
Agora eu posso saborear sua pauta
While you're spitting your cud
Enquanto você cospe o que ruminou

And it doesn't make sense
E não faz sentido
I should fall for the kingcraft of a meritless crown
Eu deveria cair nessa de reinado com uma coroa sem mérito
No, it doesn't seem right
Não, não parece certo
To take information
Pegar informações
Given at close range
Dadas como restritas
For the gag
Para os amordaçados
And the bind
E os amarrados
And the ammunition round
E a rajada de balas

This is not about love
Isso não é sobre amor
'Cause I am not in love
Porque eu não estou apaixonada
In fact I can't stop falling out
De fato eu não consigo deixar de abandonar o barco

This is not about love
Isso não é sobre amor
'Cause I am not in love
Porque eu não estou apaixonada
In fact I can't stop falling out
De fato eu não consigo deixar de abandonar o barco
I miss that stupid ache
Eu sinto falta daquela dor estúpida

"What is this posture I have to stare at?"
"Que postura é essa que eu tenho que ficar olhando?"
That's what he said when I was sittin' up straight
Foi o que ele disse quando eu me sentei ereta
Change the name of the game when he's lost it
Mudo o nome do jogo quando ele perde
He knew he was wrong but he knew it too late
Ele sabia que estava errado mas soube tarde demais
But I'm not being fair
Mas eu não estou sendo justa
'Cause I chose to listen to that filthy mouth
Porque eu escolhi escutar aquela boca imunda
But I'd like to choose right
Mas eu queria escolher certo
Take all the things that I said that he stole
Pego todas as coisas que eu disse que ele roubou
Put 'em in a sack
Coloco-as num saco
Swing 'em over my shoulder
Jogo-as por sobre meu ombro
Turn on my heels
Dou no pé
Step out of this sight
Caio fora desse lugar
Try to live in a lovelier light
Tento viver numa luz mais amável

This is not about love
Isso não é sobre amor
'Cause I am not in love
Porque eu não estou apaixonada
In fact I cant stop falling out
De fato não consigo deixar de abandonar o barco

This is not about love
Isso não é sobre amor
'Cause I am not in love
Porque eu não estou apaixonada
In fact i cant stop falling out
De fato eu não consigo deixar de abandonar o barco
I miss that stupid ache
Eu sinto falta daquela dor estúpida

Fiona Apple

Mario

Respire fundo e diga 33



Quarta-feira, Janeiro 02, 2008



UM LUGAR DE BOLSO, UMA VIDA PORTÁTIL

Eu geralmente tenho o hábito de escrever o título primeiro, depois discorrer texto abaixo. Funciona melhor. Fica mais nítido o que eu tenho que fazer pra englobar todas as idéias que eu quero. O problema é que dessa vez eu simplesmente deixei rolar. Vou só escrever. Vou relatar uma viagem que não foi só uma viagem e foi só uma viagem. Imagine atravessar o portal da quarta dimensão e dar de cara com um mundo onde chefe, mãe, vizinho e aqueles seus casos sexuais não existem. Onde você não existe. Onde a maior parte do tempo a maior preocupação é decidir o que fazer com seu tempo, pois há diversas opções, você pode fazer o que quiser, qualquer coisa mesmo, e tempo é o que não falta, pois o tempo nesse lugar passa devagar demais pra reparar que já é pôr-do-sol ou lua minguante. Onde a coisa mais importante é não dormir pra não deixar de aproveitar cada minuto que dura uma eternidade. Onde comer é um prazer, nadar é um alívio e voar é um dever. Onde a amizade e a cumplicidade valem mais que o amor. Onde você deseja os corpos, você os tem mentalmente e isso o faz a pessoa mais desejada do mundo. Onde você dá o seu ombro e baba em um colo porque quer, não por mero inconveniente social. Lá você pode assumir a identidade que inventar e cometer os crimes que convierem. O abraço deve ser suspeito e o aperto de mão irônico. Mas só porque você quer. Esse lugar está mais perto do que imaginamos e você pode comprá-lo com seu cartão de crédito. Agora é a hora em que eu deveria encerrar o post com "São os votos de feliz 2008, paz, amor e felicidade.". Não. Eu desejo que em 2008 você não seja você, se é que você me entende.



Mario

Respire fundo e diga 33





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